Affinity grátis chega ao iPad: alternativa ao Lightroom?

Tablet com case e caneta sobre mesa de madeira, tela escura, contraluz de janela ao entardecer

Se você edita fotos no iPad hoje, provavelmente paga uma assinatura do Adobe Lightroom Mobile ou do Adobe Photoshop só para continuar o trabalho fora de casa. Na segunda-feira, 2 de novembro de 2026, a Canva lançou a versão para iPad do Affinity, o pacote de edição de fotos, vetor e diagramação que já existia no computador e que agora chega gratuito ao tablet da Apple, segundo noticiou o site PetaPixel. A pergunta que importa aqui não é se o aplicativo é bom. É se ele resolve o seu fluxo de edição sem a mensalidade.

Quem já organiza presets no Lightroom para agilizar a edição vai sentir falta de alguns automatismos, mas ganha em outra frente: o Affinity não cobra nada para abrir, editar em camadas e exportar fotos, incluindo arquivos RAW.

Neste artigo você vai entender o que o Affinity faz de verdade, onde ele se parece com o Adobe Photoshop e onde se afasta do Adobe Lightroom, quais recursos exigem assinatura paga da Canva e, no final, se vale a pena migrar parte ou toda a sua edição para o tablet.

O que é o Affinity e por que ele chegou agora no iPad?

O Affinity é um pacote de edição de imagem, vetor e diagramação da Canva, gratuito para uso individual, que reúne em um único aplicativo o que antes eram três programas separados: Affinity Photo, Affinity Designer e Affinity Publisher. A versão para iPad, anunciada em 2 de novembro de 2026, chega quase um ano depois da versão para computador, lançada em 30 de outubro de 2025 e descrita em detalhes no site oficial do Affinity.

A história começa antes da Canva. A desenvolvedora britânica Serif criou o Affinity como alternativa de pagamento único ao pacote de assinatura da Adobe. Em março de 2024, a Canva comprou a Serif por cerca de A$ 580 milhões (perto de £300 milhões). Na época, as duas empresas publicaram um compromisso público prometendo não obrigar os usuários a assinar nada e manter as licenças perpétuas de quem já tinha comprado o Affinity 2. A versão 3, lançada em outubro de 2025, uniu os três programas num só aplicativo e passou a ser gratuita por padrão, deixando só os recursos de inteligência artificial da Canva atrás de uma assinatura paga. Faltava uma peça: o tablet. Essa peça chegou agora.

Essa onda de consolidação não é exclusividade da Canva. A Adobe comprou a Topaz Labs para reforçar suas próprias ferramentas de inteligência artificial, movimento que mostra como as grandes empresas de edição estão disputando o mesmo usuário: o fotógrafo que não quer trocar de programa a cada ano.

Como o Affinity funciona na prática para quem fotografa?

O Affinity para iPad organiza o trabalho em três “estúdios” dentro do mesmo arquivo: Pixel (edição de foto, equivalente ao Adobe Photoshop), Vetor (ilustração e logotipo) e Layout (diagramação de página), todos acessíveis por toque e por Apple Pencil na mesma tela, sem precisar fechar um projeto para abrir outro tipo de ferramenta.

Na prática, isso lembra mais o Adobe Photoshop do que o Adobe Lightroom. O Affinity trabalha com camadas: cada ajuste, cada máscara e cada retoque vira uma camada separada dentro do arquivo, e você pode reordenar, ocultar ou apagar cada uma sem destruir a imagem original, desde que o arquivo seja salvo no formato nativo do Affinity. Um fotógrafo de casamento que precisa entregar uma seleção rápida entre a cerimônia e a recepção, por exemplo, pode abrir as fotos no intervalo, aplicar uma camada de ajuste de cor, clonar um elemento incômodo no fundo e já exportar em JPEG direto do iPad, sem esperar chegar em casa para ligar o notebook.

Para quem fotografa retrato em ambiente interno, o estúdio Pixel do Affinity permite abrir uma camada de frequência para suavizar a pele sem perder textura, algo parecido com o que se faz no Adobe Photoshop usando camadas de alta e baixa frequência. A diferença é que, no Affinity, essa camada fica dentro do mesmo arquivo que você pode exportar depois em vetor, caso precise montar um story promocional com o retrato editado.

O Affinity substitui o Lightroom Mobile ou o Photoshop no iPad?

Não da mesma forma. O Affinity edita em camadas, como o Adobe Photoshop, mas não tem o catálogo não destrutivo nem a sincronização automática entre aparelhos que sustentam o fluxo do Adobe Lightroom.

Essa diferença é a mais importante para entender antes de migrar. O Adobe Lightroom guarda um catálogo com o histórico de edição aplicado de forma não destrutiva sobre o arquivo RAW original, e esse catálogo sincroniza automaticamente entre celular, tablet e computador por meio da assinatura da Adobe Creative Cloud. O Affinity, como o Adobe Photoshop, trabalha com arquivos individuais: você abre um documento, edita, salva e exporta, mas não existe, até esta atualização, um catálogo que acompanhe a mesma foto RAW entre o iPad e o computador sem você mesmo mover o arquivo.

Isso pesa mais para quem fotografa em volume. Um fotógrafo de rua que sai com quinhentas fotos num domingo e depende do catálogo do Lightroom para descartar, classificar por estrelas e aplicar um preset em lote antes de editar sente falta dessa organização automática no Affinity. Já quem exporta poucas fotos por vez, direto para redes sociais ou para um cliente específico, não sente tanta diferença.

Quem evita a assinatura do Adobe Photoshop também vem testando o Photoshop Elements 2027 como alternativa paga única, mais parecida em filosofia com o que o Affinity está tentando ser de graça no tablet.

Quais recursos de inteligência artificial o Affinity tem e o que exige assinatura Canva Pro?

O aplicativo gratuito traz ferramentas manuais completas de seleção, máscara e retoque. Os recursos de inteligência artificial generativa, como preenchimento de fundo e geração de elementos dentro do ecossistema Canva, exigem uma assinatura paga do Canva Pro.

Vale separar os dois tipos de recurso para não confundir. Uma ferramenta de ajuste manual, como clonar uma área ou ajustar a curva de cor de uma camada, está disponível no Affinity gratuito e depende só da sua mão. Uma ferramenta de inteligência artificial generativa, como pedir para o aplicativo preencher um buraco na imagem inventando conteúdo novo, é um recurso separado, cobrado à parte, e que depende dos servidores da Canva para processar o pedido.

Um fotógrafo de still life que fotografa produto para e-commerce, por exemplo, pode remover manualmente um fio de poeira no fundo branco usando o carimbo de clonagem do Affinity sem pagar nada. Se quiser que a inteligência artificial generativa invente um fundo completo diferente do que foi fotografado, isso entra no território pago.

A Affinity também afirmou publicamente que os projetos dos usuários não são usados para treinar os modelos de inteligência artificial da empresa, resposta direta a uma preocupação comum entre quem já foi pego de surpresa por mudanças de termo de uso em outros aplicativos de edição. Quem já testou outras ferramentas de IA para retoque sabe que esse tipo de garantia não é padrão no mercado: vale comparar com o que já escrevemos sobre como editar foto com IA sem perder a cena e a cor originais.

Essa mesma cautela vale para retrato: se o objetivo é melhorar a imagem sem alterar as feições da pessoa fotografada, o cuidado manual ainda supera o atalho automático, como já mostramos ao explicar como editar foto com IA sem mudar o rosto.

Vale a pena trocar o Lightroom ou o Photoshop pelo Affinity no iPad?

Depende do que pesa mais no seu fluxo de trabalho. Para quem fotografa por hobby, produz conteúdo para redes sociais ou está começando e não quer pagar assinatura, o Affinity resolve. Para quem vive de edição de RAW em grande volume e depende da sincronização automática entre aparelhos, a mensalidade do Lightroom ainda se paga.

Critério Affinity (iPad) Lightroom Mobile Photoshop (iPad)
Custo de entrada Gratuito para uso individual Assinatura Adobe Creative Cloud Assinatura Adobe Creative Cloud
Modelo de edição Camadas, por arquivo Catálogo não destrutivo sobre o RAW Camadas, por arquivo
Sincronização automática entre aparelhos Não, até esta atualização Sim, via Creative Cloud Parcial, via Creative Cloud
Vetor e diagramação no mesmo app Sim Não Não
Recursos de IA generativa Exigem Canva Pro Exigem assinatura Adobe Exigem assinatura Adobe

Para quem fotografa paisagem e trabalha com mesclagem de exposições, a ausência de catálogo pesa menos, porque o fluxo já costuma ser arquivo por arquivo: você exporta algumas fotos em RAW do cartão, mescla as camadas de exposição no Affinity e exporta o resultado final, sem depender de um histórico de edição compartilhado entre vários dispositivos.

Quem prefere editar num notebook em vez do tablet também pode comparar as opções que já reunimos nos melhores notebooks para edição de fotos, já que o Affinity roda nativamente no computador desde 2025.

Quais são os erros mais comuns ao migrar a edição para o Affinity no iPad?

O erro mais comum é esperar que o Affinity se comporte como um catálogo automático igual ao do Lightroom, ou importar fotos em RAW de uma câmera muito recente sem checar antes se o formato já é suportado.

  • Esperar sincronização automática entre iPad, iPhone e computador: hoje não existe aplicativo do Affinity para iPhone, e abrir o mesmo arquivo em dois aparelhos sem checar qual versão é a mais recente pode sobrescrever edição já feita.
  • Levar uma câmera recém-lançada para uma sessão paga sem testar antes a importação do RAW: a compatibilidade com cada modelo depende de atualização do aplicativo, e isso vale para qualquer editor, não só para o Affinity.
  • Confundir “gratuito para uso individual” com “gratuito para equipe”: estúdios que precisam de login único corporativo dependem dos planos Canva Enterprise ou Canva Education, que não são de graça.
  • Abandonar o histórico de edição do Lightroom sem exportar antes os arquivos mestres em RAW ou TIFF, perdendo o registro não destrutivo acumulado ao trocar de programa.

Esse tipo de cuidado na migração vale para qualquer troca de ferramenta, não só para o Affinity. Já reunimos outros pontos de atenção em como editar fotos como um profissional.

No fim, o Affinity não chegou para clonar o Lightroom. Ele chegou para disputar o espaço do Adobe Photoshop no tablet, com a vantagem de juntar edição de foto, vetor e diagramação num aplicativo só e sem mensalidade obrigatória. A decisão de migrar depende menos de qual aplicativo é “melhor” e mais de quanto RAW você edita por semana e se precisa que essa edição acompanhe você automaticamente do celular ao computador. Para quem edita pouco e esporadicamente, o tablet já virou suficiente. Para quem edita centenas de fotos por evento, o catálogo ainda faz diferença.

Um próximo teste natural, para quem decidir migrar mesmo parte do fluxo, é comparar na prática a exportação de RAW do Affinity com a do Lightroom Mobile em uma mesma sessão de fotos, para medir se a perda do catálogo realmente trava o dia a dia ou é só hábito antigo.

Perguntas frequentes

O Affinity para iPad é realmente gratuito?

Sim, o aplicativo é gratuito para uso individual, incluindo as ferramentas de edição de foto, vetor e diagramação. Apenas os recursos de inteligência artificial generativa da Canva exigem uma assinatura paga do Canva Pro, e organizações que precisam de login único corporativo dependem de planos Canva Enterprise ou Canva Education.

O Affinity tem catálogo como o Lightroom?

Não. O Affinity edita por arquivo, em camadas, enquanto o Adobe Lightroom organiza as fotos num catálogo com histórico de edição não destrutivo sincronizado entre aparelhos. Quem depende de catálogo para selecionar grandes volumes de fotos sente essa ausência no Affinity.

Dá para editar RAW de câmera no Affinity pelo iPad?

Dá, o aplicativo abre arquivos RAW como camada editável. A compatibilidade com o modelo exato da sua câmera depende da versão do aplicativo instalada, por isso vale testar a importação antes de uma sessão importante.

O Affinity funciona no iPhone?

Ainda não. Até esta atualização, o Affinity está disponível para macOS, Windows e iPad, sem uma versão dedicada para iPhone.

É preciso Apple Pencil para usar o Affinity no iPad?

Não é obrigatório. O aplicativo funciona por toque, mas foi construído para aproveitar o Apple Pencil em tarefas como máscara de pincel e retoque fino, de forma parecida com o que já se faz no Adobe Photoshop com mesa digitalizadora.

O Affinity substitui o Photoshop para quem edita retrato profissionalmente?

Para boa parte do retoque de retrato, sim, já que o Affinity também trabalha com camadas e máscaras. A diferença aparece em plugins específicos e em fluxos que dependem do ecossistema Adobe Creative Cloud, que o Affinity não replica.

Apaixonado por fotografia e arte. Escrevo no Mundo das Fotos sobre o que se aprende errando: luz, lente, composição e as decisões que mudam a foto antes de apertar o botão. Se você está saindo da automática, é para você que eu escrevo.

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